PROTEÍNA E O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO A PARTIR DA INFÂNCIA

A proteína é um dos nutrientes mais populares, e o zelo sobre o impacto nutricional no desenvolvimento cognitivo, iniciou e incidiu durante muito tempo apenas na má nutrição proteico energética. Esta tem efeitos bem estabelecidos no atraso do desenvolvimento motor e cerebral, e consequências a curto e a longo prazo na cognição e no comportamento. No entanto é muito difícil separar os efeitos da deficiência energética e proteica dos efeitos das deficiências em micronutrientes que normalmente lhe estão associadas. Sabe-se que alguns aminoácidos essenciais presentes nas fontes alimentares proteicas participam na elaboração de neurotransmissores (são substâncias químicas produzidas pelos neurônios, por meio delas, podem enviar informações a outras células, também estimular a continuidade de um impulso ou efetuar a reação final no órgão ou músculo alvo.) e neuromoduladores (são mensageiros liberados por neurônios no sistema nervoso periférico ou central, e normalmente afetam grupos de células com receptores apropriados para esse tipo de mensageiro, células essas que chamamos de alvo), podendo a sua deficiência afetar o funcionamento cerebral.

As funções do encéfalo, como as demais partes do organismo dependem da estrutura, morfologia, das atividades metabólicas e das modificações químicas que se processam. A atividade metabólica, por sua vez, na qual se observa o desdobramento de substâncias químicas, de moléculas e as sínteses, depende de substâncias ativadoras, as enzimas, que dirigem e dão velocidade às reações químicas. Se há deficiência de matéria-prima, como proteínas e vitaminas, para as enzimas, diminuem ou anulam as atividades enzimáticas.

O encéfalo não escapa deste complexo mecanismo metabólico. Suas funções podem ser modificadas ou anuladas, em consequência de deficiências das substâncias químicas responsáveis. O mais preocupante é que “estas lesões irão se refletir mais tarde num desempenho intelectual abaixo do normal, com diminuição na capacidade de aprendizagem da criança na escola, aumentando a evasão escolar”. (VASCONCELLOS; GEWANDSZNAJDER, 1987, p. 84).

É importante ressaltar que os indivíduos que não recebem quantidade calórico-proteica necessária por dia, não atingem o pleno desenvolvimento na infância, levando consigo efeitos nocivos para toda a vida e consequentemente para a própria atividade socioeconômica do país.

É inadmissível que, aproximadamente, 150 milhões de crianças sejam desnutridas no mundo, e que muitas, morrem deste mal, enquanto toneladas de alimentos são desperdiçados diariamente. O Brasil apresenta um dos índices mais altos e preocupantes: um em cada dez brasileiros sofre de desnutrição.

A organização Mundial da Saúde e seu grupo de nutricionistas em 197l, unificou o conceito “desnutrição proteico-calórica”, referindo-se às fases da desnutrição de moderada a grave.  Caldwell e alguns de seus colaboradores propuseram uma definição para o tema, bastante aceito: “desnutrição é um estado mórbido secundário a uma deficiência ou excesso, relativo ou absoluto, de um ou mais nutrientes essenciais, que se manifesta clinicamente ou é detectado por meio de teses bioquímicos, antropométricos, topográficos ou fisiológicos”. (WAITZBERG, 1995, p. 153)

Podemos observar que a desnutrição afeta crianças, que se alimentam diariamente, saciando sua fome, contudo ingerem de forma deficiente substâncias como vitaminas, proteínas e minerais, não sendo a quantidade ingerida suficiente para suprir as necessidades do organismo.

Por mais que a combinação entre arroz, feijão, açúcar, e um pouco de carne forneça um total calórico suficiente, ainda assim estará subalimentado: faltam-lhe os chamados alimentos protetores, as vitaminas, proteínas e minerais presentes nas frutas, verduras frescas, leites vegetais, leguminosas, sementes, ausentes de sua alimentação. Ainda que haja adequação calórica em seu regime alimentar (isto é, ainda que o total energético gasto seja igual ao ingerido) estará subalimentado.

Os estudos sugerem que hábitos alimentares podem afetar muito a concentração e a aprendizagem, seu nível de energia e autocontrole, sua resistência às doenças comuns, e sua habilidade atlética, assim como sua resistência geral e ao crescimento. Por exemplo, as crianças que tentam enfrentar o período da manhã sem o café da manhã tendem a ter problemas de concentração e aprendizagem e são mais distraídas na sala de aula, principalmente nas horas que precedem o almoço.

As deficiências nutricionais e de estímulos, sobretudo na fase precoce do desenvolvimento, podem determinar alterações graves e talvez irreversíveis. A deficiência, por exemplo, de um aminoácido denominado histidina, as alterações do metabolismo dos ácidos graxos              poli-insaturados, do colesterol e dos fosfolipídios podem alterar e retardar o desenvolvimento da linguagem.

O crescimento dos escolares entre seis e doze anos é constante e, por isto, necessita de muitos cuidados. Suas necessidades nutricionais de proteínas, vitaminas e minerais, como as vitaminas C e D, cálcio, fósforo, ferro e zinco são maiores. A quantidade de alimentos para uma criança nesta faixa etária pode variar, mas o equilíbrio de nutrientes será o mesmo para todo escolar. A ênfase deve ser dada aos carboidratos, gorduras e proteínas. Segundo MOLONEY (1992, p. 126): As crianças em idade escolar, particularmente, precisam de um bom café da manhã para mantê-las alertas durante o longo intervalo até o almoço. As crianças que tomam um bom café da manhã têm se mostrado menos cansadas e mais capazes de se concentrar e enfrentar problemas do que aquelas que não o fazem. É extremamente importante que os escolares que estudam no primeiro período, tomem um café da manhã completo, balanceado antes de ir para aula, contendo alimentos ricos em proteínas, frutas e pães, é ideal. E os que estudam no período da tarde, tenham também um almoço completo e balanceado, rico em proteína para colaborar com o aprendizado.

Os alimentos, geralmente destinados às crianças, com baixa ou nula composição de fibras e ricos em gordura, açúcar e sódio, e que, quando consumidos em excesso, podem provocar sérios danos ao organismo, e a ingestão inadequada de proteínas, vitaminas e minerais provoca desnutrição, mesmo que a sensação de fome do indivíduo, seja saciada com a alimentação.

No período escolar, surge o desejo pela “alimentação livre”, onde o consumismo por doces, salgadinhos, chocolates, refrigerantes e outras guloseimas cresce consideravelmente. “Os pais, precisam estabelecer limites para as influências indesejáveis, mas também precisam ser realistas” MOLONEY (1998, p. 268). Ou seja, consumir algumas “bobagens” vez ou outra, sim, mas desde que com moderação. Esta fase é considerada propícia para ensinar as crianças a serem responsáveis pelo que consomem, pois, estes hábitos formados nesta fase permanecerão com elas para toda a vida. A escola pode colaborar para esses bons hábitos com seus projetos de alimentação saudável, oferecendo alimentos de qualidade e inibindo o consumo de alimentos não saudáveis.

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Sobre mim

Nascida em São Paulo, no ano de 1982, enquanto o sol estava em Aries. Sonhava em ser professora, escritora e acadêmica. Sempre amou mato, praia e animais.
Com ascendente em Touro, sempre teve muito apetite, comia tudo que via pela frente. Em 2000 concluiu o magistério, 2001 começou a lecionar.

Em meados de 2003 teve o primeiro contato com o universo vegetariano, quando sua irmã começou a transição para essa dieta. Interessou-se, experimentou, aprendeu algumas receitas, mas continuou sua vida entre receitas vegetarianas e carnistas, mas sempre recebendo bem as informações sobre alimentação, benefícios, saúde e exploração animal.

Em 2010 concluiu a graduação em Pedagogia e em 2012 a pós em Psicomotricidade. Em outubro de 2015 esse banco de informação foi se transformando em consciência, gradativamente foi retirando o consumo de carne no dia a dia, e em maio 2016 tomou a decisão de não se alimentar de morte. E em 2018 resolvi dividir informações e dicas nesse Blog.